Abri um livro de auto ajuda hoje na Cultura. E que os raios me partam por ter feito isso, deuses essa praga está cada vez mais disfarçada de outros livros comuns! Mas que seja, logo de cara vi uma pergunta em negrito bem destacada, como é típico nesse tipo de literatura:
“O que, nesse momento, na sua vida, lhe é imprescindível? Pelo que você lutaria e morreria por?”
É uma dessas perguntas destinadas a fazer pensar e levar ao auto conhecimento ou provavelmente provar algum ponto do autor. Sei que rapidamente fechei o livro, tanto com medo de qualquer outra palavra que o autor tenha posto ali induzindo o raciocínio, tanto pelo preconceito contra a Auto-ajuda.
Mas a porcaria da pergunta continuou na mente e tive que procurar responder, pra dizer a verdade realmente passe um tempo pensando. E tomei algumas especulações.
Pra começar, olhei pra cada fato, coisa ou pessoa que está ou esteve na minha vida, que constitui meu cotidiano, mas por mais que procurasse não vi nada imprescindível, poderia me desfazer de tudo, e por nada absolutamente nada estaria disposto a lutar até o fim das minhas forças. Não digo que simplesmente deixaria as coisas irem, mas não passaria de um certo ponto pra cada uma delas.
Imagino cada perda, como todas as coisas seriam sem cada elemento, sim percebo quão minha vida seria no mínimo diferente. Mas ainda que cada perda tornasse minha vida pior, a única coisa da qual percebi que tenho certeza é de que continuaria, mesmo que na pior das hipóteses. Não por esperança, ou por amor a vida, mas porque não tenho escolha. Porque é racional, não porque é moral, no fim, jamais poderia escolher por algo que não conheço.
E então olho pra esse pequeno ponto, a racionalidade, que ainda talvez não seja a palavra mais adequada, acho que confundo com sanidade e sensatez, seja lá o que for que me mantém. Tenho medo de em algum ponto, em algum momento perder isso, parece tão frágil, sinto que poderia escorregar facilmente entre os dedos, e quando isso acontecesse, já não poderia mas especular como seria.
Mas talvez sim, se tivesse plena consciência da ameaça a minha sanidade, eu lutasse com todas as minhas forças pra protegê-la. Me pergunto até que ponto posso dizer que ainda sou são, se é uma coisa boa de ser, ou se já perdi isso também e nem ao menos sei. Então me agarro no que é e no que foi, no que conheço na esperança de que isso seja o que preciso, mas mesmo assim isso ainda não me faz prezar nada em particular.
Talvez todas as coisas, fatos e pessoas que compõem minha vida possam ser imprescindíveis na medida que em conjunto caracterizam algo único. Mas sinto que deixo algo passar, que talvez o que procure não esteja entre o que prezo, então sinto vazio, sozinho e deprimido.
Desse modo a pergunta não serviu para nada, no sentido de gerar uma resposta, fora alguma introspecção não trouxe nada além de angustia, eu olhei para fora e não vi nada que me agradasse, olhei para mim e tive medo de perder algo, o que muito certamente vai acontecer se eu ficar só nas introspecções.
Pra fechar, acho que jamais teria ido tão a fundo se tivesse lido o livro, preciso parar e pensar e tomar minhas próprias conclusões por mais que elas sejam inconclusivas… Mais do que isso, evitar ser induzido ao formá-las, tive sorte de achar uma pergunta interessante, mas não recomendo que vá procurá-las nesses livros.

Conclusões inconclusivas… me faz pensar se sua sanidade realmente não sei foi…
Mas pense bem: você precisa de várias coisas. Essa pergunta é idiota. Você só dá valor ao que não tem. Essa é a mágica. Sim, pode parecer que sua mãe não serve pra nada mas é melhor (bem melhor) com ela, não?
Nem pra botar o titulo do livro?
Desculpe Ricardo, realmente não gravei o nome do livro…
Lucas, sei que ter minha mãe é absolutamente melhor do que não tê-la, mas a questão é se eu estaria disposto a lutar até a morte por ela ou qualquer outra coisa…
Mas discordo, acho que só se dá o real valor as coisas quando as perde, por isso que tentei fazer esse exercício, não posso saber qual o valor que dou a algo que nunca tive….
E claro que a pergunta é idiota, veio de um livro de auto ajuda…
Eu gosto de auto ajuda agora.
Então… a menos que esteja escrevendo algo pra se auto-ajudar, não há mais nada que possa fazer….
Oras, auto ajuda… Espinosa é auto ajuda.
[...] dizer que o fui a maior parte da minha vida… -Não esqueceu do 1 e 2? -Estou contando essa aqui e essa [...]